Igarapé Bate Estaca agoniza sem socorro


Rafael Abreu


foto: J. Gomes

















Um dos maiores igarapés urbanos de Porto Velho ainda resiste à morte. Em meio ao crescimento desenfreado da capital de Rondônia o igarapé Bate Estacas sofre degradação desde a nascente até desaguar no rio Madeira. Esgoto, aterramento, retirada da mata ciliar, desvio do curso d’água, assoreamento são algumas das deteriorações que estão impactando sobre os 113 quilômetros quadrados de área da bacia hidrográfica do igarapé. A reportagem do Diário da Amazônia fez uma expedição da nascente à foz do igarapé no rio Madeira.





Em uma das principais nascentes do igarapé, no bairro Areia Branca, entre árvores, plantas e pedras a água mina cristalina. Ela desce tranquilamente o barranco tomando todo o espaço que é seu por propriedade e forma as águas do Bate Estacas. Na chácara Água Viva, onde está a nascente, o caseiro, Raimundo de Paula, 30 anos, usa a água da bica para beber, tomar banho e lavar roupa. “Não trocaria nada desse mundo por este paraíso de sombra, tranquilidade, comida e água fresca”, afirmou.





Poucos metros depois, dentro da própria chácara, as águas límpidas e puras são alteradas por concretos e canos. O curso d’água foi alterado, o espaço que era seu por propriedade, invadido, canalizado, aterrado para virar uma piscina ‘particular’ de águas escuras. A mata que caminhava ao seu longo e fazia a proteção do riacho não existe mais e um vazio de terra completa o cenário de luto.





Mais adiante, ainda no Areia Branca, um muro de mais de dois metros impede a passagem de quem segue o riacho. Pássaros e animais que habitam pelas redondezas são obrigados a procurar outro canto para matar a sede e se alimentar. Bem ao lado um balneário conhecido como Araras com uma piscina de concreto toma conta do curso d’água. Para entrar e ter direito de se banhar no igarapé é preciso pagar R$ 5.





Esgoto





Já entrando no bairro Conceição, o Bate Estacas se transforma em esgoto. Andreia Almeida mora há 12 anos no entorno da bacia. Segundo ela, desde que mora no lugar nunca viu nenhum trabalho de recuperação no igarapé. “No máximo que fazem é roçar o mato, mas nada para acabar com a fedentina insuportável”. Ela disse ainda que já pegou duas vezes malária no lugar. “A família quase toda pegou, só não dois filhos meus”, relata. Edmundo Barroso, 75 anos, mora na beira do Bate Estacas há 25 anos e lembra da época das castanheiras. “Quando cheguei aqui tinha um monte de árvores, o igarapé era pequeno, mas a água era limpa e forte”, disse.





Residenciais





No bairro vizinho, o Novo Horizonte, os moradores tradicionais reclamam que os residenciais da localidade acabaram com o igarapé. A situação levou 16 pessoas a entrarem com uma denúncia no ano passado no Ministério Público contra a retirada da Área de Preservação Permanente (APP), aterramento da nascente e derrubada da mata ciliar entre outras ações danosas feitas pela construtora de um residencial (Nova Era I).





Entretanto, não surtiu efeito, até o último fim de semana os problemas continuavam os mesmos. Esgoto, lixo, mau cheiro completam a imagem decadente. Apenas alguns macacos, patos e jacarés relutam pelo pouco espaço florestado. Um frigorífico localizado na rua João Paulo I, mas conhecida como Estrada da Coca-Cola, segundo os moradores também estaria jogando restos de animais no afluente do rio Madeira e contaminando a água. Ainda próximo aos residenciais do Novo Horizonte, a agonia do igarapé é quase uma sentença de morte. O Bate Estaca canalizado, no cruzamento da rua João Paulo I e avenida Campo Sales, virou esgoto. E quando mais ele segue entre casas, vai apodrecendo as águas e perdendo totalmente as características vista na nascente.




Fôlego




Na sítio da família Johnson, ao longo da Estrada de Ferro, o igarapé ganha fôlego e apresenta o que não se vê por mais de dois quilômetros: a mata ciliar, Área de Preservação Permanente e peixes. A história da microbacia é ligada à vida dos Jonhsons, segundo Bubu Jonhson. Mas ele fica entristecido ao falar do Bate Estaca. “Há uns 20 anos o igarapé era bem maior, as águas eram limpas, dava muito peixe”, contou. O medo de Bubu é que o igarapé morra. “Acredito que no ritmo que vai indo, o igarapé não vai mais existir”, relata.







Ainda no sítio é possível ver cutias, onça preta e pássaros que se refugiam no lugar. “Depois que começaram as obras nas usinas apareceram mais animais aqui no sítio”. O sítio pertence ao pai de Bubu desde 1957. Após a morte do patriarca o terreno foi divido entre os 16 irmãos.












Comunidade quer o igarapé vivo











A garantia de água potável para os próximos anos tem sido uma das grandes preocupações ambientais. A falta do recurso compromete diretamente a sobrevivência da vida no planeta. O igarapé Bate Estaca fornece água para boa parte das casas de Porto Velho, mas a contaminação e deterioração em vários trechos da micro bacia deixa um alerta que o recurso hídrico pode estar se desgastando e chegando ao fim. Os moradores do entorno do igarapé já temem a morte do Bate Estaca.






Na comunidade Bate Estaca, próximo ao ponto de captação de água da Caerd (Companhia de Água de Rondônia), a situação é de tristeza com a diminuição da água, poluição do rio e outras degradações. A presença de visitantes ajuda a poluir as águas do igarapé. Muitos jogam latas de cervejas, garrafas pet e sacolas dentro do Bate Estaca.






O medo de o igarapé morrer fez com que a comunidade procurasse a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) para tentar preservar o que resta de Bate Estacas. A iniciativa uniu 16 moradores da vila de Santo Antônio e da margem do igarapé. Eles vão trabalhar como Agentes Ambientais Voluntários (AAV) para fiscalizar os crimes ambientais e educar sobre o uso racional dos recursos naturais e passaram por uma capacitação.






O presidente do Movimento dos Atingidos por Barragem (MAB) do Santo Antônio, Aparecido Limeira da Silva, disse que as comunidades do Bate Estaca resolveram participar da capacitação por se sentirem ameaçadas com a urbanização desgovernada. “O avanço de prédios na nossa região tem prejudicado o Bate Estaca, com isso dificulta as famílias que vivem no entorno a continuarem a manter a tradição dos moradores que estão no lugar há mais de 40 anos”, conta.






Ele acredita que como agente ambiental poderá conservar o igarapé para o mesmo não sumir. “Com o aumento da população devido às construções das usinas [hidrelétricas] do Madeira, o Bate Estaca está cada vez mais fragilizado, pessoas vêm pescar aqui com tarrafas, jogam lixo na água. Temos ainda o problema do aterramento e assoreamento isso tudo está deixando os moradores assustados, pois há a possibilidade de ser o fim do igarapé”, argumentou.







A reportagem do Diário da Amazônia entrou em contato várias vezes com a Caerd que capta as águas do Bate Estacas, mas até o fechamento da matéria a companhia não informou nenhuma ação no igarapé.









Lixo e esgoto contaminam o curso d`água





Um dos motivos para a deteriorização do Bate Estacas é a falta de sistemas eficientes de coleta de lixo e de tratamento do esgoto doméstico, que são lançados diretamente na água. A poluição cria também condições favoráveis ao aumento acelerado de doenças como amebíase, cólera, dengue, esquistossomose, febre amarela, febre tifóide, hepatite, leptospirose, malária e outras.





A cada curva feita pelo igarapé dá para perceber que a lei [9.433/1997] de Política Nacional de Recursos Hídricos fundamentada para preservar um bem de domínio público (O Bate Estacas e outros cursos d’águas) não é respeitada e o objetivo ‘assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos’ torna-se sem valor e de futuro incerto.





Segundo o artigo 225 da Constituição Federal: todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, a água é um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-la e preservá-la para as presentes e futuras gerações.






Mas conforme a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), as ações de fiscalização no igarapé são esporádicas porque o número de fiscais é pequeno para fazer um trabalho contínuo.






A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam) também realiza fiscalizações esporadicamente, mas o intuito é de apenas orientar os moradores. Segundo o coordenador de fiscalização do órgão, José Carlos Coutinho, a solução será a ajuda do agente ambiental voluntário, que irá fiscalizar o igarapé.






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Flona Bom Futuro: acordo só no papel

Foto: Roni Carvalho

Quase seis meses depois do acordo assinado entre o governo estadual e federal para trocar unidades de conservação, a situação da Floresta Nacional do Bom Futuro ainda é indefinida. Em meio a briga política e judicial, a operação de fiscalização do Instituto Chico Mendes (Icmbio) está travada com trabalho apenas em duas barreiras e 60 homens da Força Nacional, Batalhão Ambiental e Icmbio se reversam para vistoriar o interior da Bom Futuro, que tem 280 mil hectares. A operação iniciou em maio com 400 homens, apoio do Exército e ajuda de helicópteros e outros equipamentos, sendo considerada a maior operação armada do Brasil.



Os moradores da flona também estão impacientes com a indecisão do destino da unidade de conservação. Tanto que entraram com uma ação federal para que seja realizado logo o acordo do governo estadual, Ministério do Meio Ambiente e Instituto Chico Mendes feito no inicio de junho deste ano, permutando as áreas de preservação ambiental (a reserva ambiental Rio Vermelho, de 600 hectares - por 140 mil hectares da flona Bom Futuro).



Para azedar a situação, os Ministérios Públicos Federal e Estadual tentam desde agosto cancelar o acordo político com uma ação civil pública ambiental. Os MPs desconfiam das verdadeiras intenções da troca de unidades de conservação. Segundo a ação, o acordo foi realizado para compatibilizar interesses alheios ao da população e do meio ambiente. O interesse do governo federal seria agilizar as obras da Usina de Jirau, ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O do Estado, regularizar a vida dos invasores da Floresta Nacional. A decisão está nas mãos do Tribunal Regional Federal (RO).



Algumas notificações para retirar o gado venceram este mês, mas segundo o chefe da unidade de conservação do Icmbio, Elson Portela, a Justiça Federal pediu para que o órgão esperasse os impasses judiciais serem resolvidos para continuar a operação. “Estamos dependendo das respostas da justiça para pode direcionar a operação”, afirmou. Nas notificações do instituto Chico Mendes 50% dos rebanhos está nas mãos dos grandes criadores.



Segundo a assessoria do governo estadual, o governador Ivo Cassol está hoje em Brasília para tentar colocar o acordo em prática. Ele vai ser reunir com a cúpula de Ministério do Meio Ambiente para pressionar e pedir que seja feita a Medida Provisória alterando os limites da Flona do Bom Futuro e definir a área estadualizada. De acordo ainda com a assessoria, o Estado só espera essa definição para fazer a lei estadual $tornando o Rio Vermelho uma unidade federal.



História



Criada em 1988 com 280 mil hectares de área a cerca de 200 quilômetros da cidade de Porto Velho, a Flona começou a ser ocupada desordenadamente a partir de 1995 e 1997, com a instalação na região de dois assentamentos. Seguiram-se várias ocupações irregulares, inclusive simuladas por políticos que montaram currais eleitorais. Segundo o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), atualmente cerca de 28% da Bom Futuro já foram desmatadas, com um ocupação de 3,5 mil habitantes e 35 mil cabeças de boi pirata.



Rafael Abreu (Diário da Amazônia)


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Moradores se revoltam com ação na Flona Bom Futuro

Rafael Abreu

Os moradores de Rio Pardo denunciam pressão e abuso de poder feito por fiscais e policiais da operação ambiental na Floresta Nacional do Bom Futuro. Segundo o presidente da Associação dos produtores rurais de Nova União e Rio Pardo (Aspruno), Salvador da Cruz Filho, a Força Nacional e os fiscais do Instituto Chico Mendes (Icmbio) estão provocando a comunidade para que percam a cabeça e façam irregularidades na unidade de conservação. “Querem que a gente desanime e perca a cabeça, logo na reta final do projeto de lei ser aprovado”, afirma.
O presidente da associação diz ainda que o acordo feito dois meses atrás na manifestação em frente à Usina de Jirau, não está sendo cumprido. “Isso está deixando as pessoas da Flona revoltadas, e a qualquer momento os moradores podem partir para um protesto jamais visto no lugar”, disse. Ele explica que a manifestação pode acontecer, pois fecharam os dois únicos postos de combustível da vila de Rio Pardo aplicando multas milionárias, e ameaçaram fechar o comércio e retirar os gados notificados. “No último domingo (20/9) chegaram na vila por volta das 15 horas usando a força, balas de borracha e spray de pimenta, nesta ação a Força Nacional arrancou as duas bombas dos postos de gasolina, deixando multas no valor de um milhão de reais e outra de R$ 6 milhões para os proprietários dos postos”, revelou ele. “Ninguém apresentou mandado judicial, nem documento para fazer as apreensões”, enfatiza Cruz Filho.
De acordo com o presidente sem a gasolina a comunidade fica sem energia, não pode se deslocar para as cidades mais próximas e impossibilita a sobrevivência dos moradores. “Sem a gasolina e diesel não tem como fazer nada, fica tudo parado”, completou. Em relação ao fechamento dos comércios o presidente da associação argumentou que a ação é ‘intimidadora’ pois sabe que os moradores precisam comprar açúcar, remédio e o óleo. “O governo federal e o estadual precisam entrar em acordo o mais rápido possível porque está situação está colocando a população em pânico, e os moradores vão se organizar para fazer uma manifestação à pior de todas contra essas ações”, finaliza o presidente da Aspruno.
O chefe da unidade de conservação, do Icmbio, Paulo Volnei Garcia, desmentiu as denuncias dos moradores da Flona. “O Instituto Chico Mendes não precisa de ordem judicial para fazer fiscalização na unidade de conservação é da obrigação do órgão fazer a qualquer momento vistoria na flona, outra que na ação do último domingo era para ser rotineira e autuar e fechar os postos de gasolina ilegais, uma atividade feita sem nenhuma licença ambiental e normas, entretanto, os moradores se revoltaram e tentaram fechar as pontes, e a Força Nacional agiu com tiros para cima, e uso do spray de pimenta para proteger os fiscais que se ficassem mais tempo na região poderiam acontecer um desastre”, explica. “Ninguém proibiu a entrada de mercadorias na vila, isso é mentira, também eles não ficaram proibidos de usar gasolina e diesel, pois está liberado entrar 400 litros de combustível por semana, o que foi feito foi uma ação para parar uma atividade perigosa que era os postos de gasolinas, apenas isso”, completou.
Para terminar Paulo Volnei disse que não houve feridos e nem tiros nas pessoas “Estão querendo inflamar a situação para fazer que o acordo político seja realizado com urgência”, falou ele.

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Operação no Bom Futuro em meio às indecisões

A maior operação ambiental do Brasil com cerca de 400 homens, helicópteros, tecnologia de ponta pretendia salvar a mais devastada unidade de conservação federal
Rafael Abreu

As indefinições sobre o futuro da Floresta Nacional do Bom Futuro estão prejudicando a fiscalização na unidade de conservação. Em meio a um acordo político de troca de áreas de conservação e a decisão judicial que cancela essa permuta, a operação Terra Nova continua, mas com fiscalização apenas nas quatro barreiras para controlar o acesso de pessoas e materiais, informou o chefe da unidade de conservação, Paulo Volnei Garcia. “Estamos no meio das decisões políticas e judiciais”, completa ele.

Depois do acordo realizado pelo governo estadual, Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes, no inicio de junho, que permuta áreas de preservação ambiental (a Reserva ambiental Rio Vermelho de 600 hectares por 140 mil hectares da flona Bom Futuro) a operação teve que alterar o planejamento. “Com o acordo político a operação tomou outro rumo ao que estava planejado, mas estamos atendendo as determinações na medida do possível e agora esperamos o resultado do acordo para direcionar a ação”, argumenta Garcia.
Após o acordo, as multas pelos os danos ambientais existentes que causaram revolta nos ocupantes da Flona, pelos os valores milionários, foram paralisadas. “Hoje, só autuamos os crimes em flagrantes”, revela. “O acordo que teve um encaminhamento político e a manifestação dos moradores do Bom Futuro em frente às obras da Usina de Jirau influenciou na mudança da nossa fiscalização”, esclareceu Garcia sobre a alteração da ação. Ele disse ainda que um dos motivos para diminuição no ritmo da operação é a pouca quantidade de veículos disponíveis. “Estamos com oito caminhonetes para atender as quatro bases”. No começo a Terra Nova tinha 20 veículos e dois helicópteros.
A redução no número do efetivo também compromete a operação. Dos 400 pessoas que iniciaram na ação, apenas 80 estão trabalhando. “A redução de pessoal já estava previsto, mas realmente reflete na operação, pois não estamos conseguindo entrar”, afirmou. E refletiu bastante nas queimadas, que de um foco em julho saltou para 63 em agosto, e nestes últimos dez dias, já são 44 focos encontrados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). “As queimadas são difíceis de fiscalizar porque podem estar em pontos isolados e também pela grande área que a Flona tem, mas, entretanto os outros tipos de crimes como o desmatamento e o roubo de madeiras conseguimos zerar”, explicou o chefe da unidade de conservação.
Para completar a situação de indecisão, a permuta de áreas que há quinze dias teve um documento elaborado para criar as leis da troca das áreas de conservação pelo o grupo de trabalho formado pelo governo estadual e o Instituto Chico Mendes pode ser cancelada, pois em agosto quatro procuradores da República e duas promotoras de Justiça de Rondônia entraram com uma ação civil pública ambiental. O Ministério Público Federal e Estadual desconfiam das verdadeiras intenções da troca de áreas de conservação. Segundo a ação, o acordo foi realizado para compatibilizar interesses alheios ao da população e do meio ambiente. O interesse do governo federal seria de agilizar as obras de jirau, ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O do Estado regularizar a vida dos invasores da Floresta Nacional. A decisão agora está nas mãos do Tribunal Regional Federal (RO) que deve dar o parecer a qualquer momento. Já o documento da criação das leis das novas reservas ambientais se encontra no Ministério do Meio Ambiente “Esperando a resposta da Justiça”, disse o chefe da unidade de conservação. “Em setembro deve sair o processo da ação civil ambiental, o juiz pode acatar os MP’s e tornar sem efeito o encaminhamento político determinando que se cumpra as decisões judiciais que já existem. E a gente volta lá para o inicio da operação”, especula Paulo Volnei.
Notificação de gados
Segundo o chefe da unidade de conservação, pelas notificações feitas aos criadores de gado, 50% dos rebanhos está nas mãos dos grandes criadores. “As primeiras notificações vence em novembro e deverão retirar os gados, caso o acordo dos governos não seja concretizado,”, disse ele. O número estimado de boi pirata na Flona é de cerca de 40 mil, de acordo com o Paulo Volnei.
Bases operacionais

Pelo o novo desenho da área da Flona feito pelo o grupo de Trabalho responsável para elaboração das leis de criação das unidades permutadas, três bases operacionais estão na área que vai ser estadual. “Teremos que nos realocar para a outra área pois nossas três bases principais estão em área onde está ocupada”, fala o chefe da unidade.

Multas

Segundo informações da assessoria de comunicação do Ibama, os processos das multas milionárias continuam pois ainda não há nenhuma ordem para cancelar as infrações ou reverter em ações ambientais.
Levantamento

Enquanto o levantamento do Incra acabou no meio do caminho devido o acordo, o levantamento está sendo feito pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sedam) e Secretaria Estadual de Agricultura (Seagri) para saber quem vai ou não ficar na nova unidade de conservação do Estado.

Ação

Paulo Volnei avisou também que semana que vem novos veículos vão chegar à Flona e as equipes serão renovadas para intensificar a operação. “Mesmo tendo poucos fiscais disponíveis, vamos retomar as fiscalizações internas que não estão sendo feitas”, afirmou.
Desmatamento

Nestes três meses e meio de operação, os únicos desmatamentos visualizados pelo os satélites do Inpe foram da própria força tarefa. As quatro bases operacionais instaladas nas principais estradas desmataram 310 hectares que equivale a 310 campos de futebol.

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Porto Velho (RO): Sexto lugar em desmatamento na Amazônia

Rafael Abreu
A capital de Rondônia é o sexto município mais desmatado da Amazônia Legal, segundo os dados de julho deste ano do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado no fim de agosto. O desmatamento chegou a 11 quilômetros quadrados. O Imazon informou que o grande aumento no desmatamento contabilizado no mês de julho pode, na verdade, ter ocorrido em outros meses já que a cobertura de nuvens era acentuada na região, o que dificultava a visualização da área. Isso, principalmente, por causa das chuvas excessivas. Em julho, com a redução das nuvens, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do instituto pode monitorar 81% da Amazônia Legal.
O levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), do sistema Deter, também mostram que Porto Velho teve a maior perca florestal em julho no Estado, cerca de 7 quilômetros quadrados. De acordo com o meteorologista da Secretaria Estadual de Ambiente (Sedam), Marcelo Gama, a extensão territorial (3.420.950 mil hectares) ajuda Porto Velho sempre liderar a lista de desmatamento. “Por possui uma grande área o município esta vulnerável a ter mais desmates que os outros, mas se colocar em proporção territorial e pontos de desmates, Buritis tem mais degradação florestal que a capital”, questiona. Gama explica ainda que a contribuição para os desmate são das unidades de conservação. “Se for verificar em 2008, a Floresta Nacional do Bom Futuro foi à maior responsável pelos desmates em Porto Velho, seguido da Reserva Extrativista de Jaci Paraná e da região de União Bandeirantes”, diz.
Para a diretora da Ong Kanindé, Ivaneide Bandeira, o aumento é dado pelos os grandes empreendimentos que esta se instalando no município. “Estão trazendo um grande número de pessoas que além das obras causam mais desmates”. Outro motivo, segundo Bandeira, é a falta de fiscalização dos órgãos ambientais. “Os principais pontos de degradação ambiental estão nas unidades de conservação, que deveriam ser protegidas pelos órgãos”, revela ela. “Deveria haver uma fiscalização séria com apoio da justiça para que se cumpra as leis ambientais. Hoje quando alguém faz um ilícito ambiental, a justiça vai é devolve os equipamentos usado na crime, se não houver uma parceria entre os poderes não terá como reduzir os desmatamentos”, reclama Bandeira. Ela questiona também os dados que dizem que Rondônia caiu para o quinto lugar nos desmatamento amazônico. “É uma falsa ilusão de que reduziu os desmate. Na verdade não tem é mais nada o que desmatar, por isso caiu os números”, finaliza.

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Flona Bom Futuro tem crescimento de queimadas em agosto

Rafael Abreu

As queimadas na Floresta Nacional do Bom Futuro de apenas um foco em julho saltaram para 63 em agosto, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A maioria dos focos de queimadas foram localizados na vila do Rio Pardo e no povoado de Marco Azul. Segundo o meteorologista do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Luiz Alves as condições climáticas em agosto favoreceram o aumento de focos. “Na primeira quinzena do mês estávamos sob influência de forte massa de ar quente e seco que manteve a umidade do ar baixa (valores mínimos próximos de 30%) e a temperatura durante a tarde bastante elevada (acima dos 35 graus celsius), sem contar com um grande número de dias sem observar chuva na região (aproximadamente 30 dias)”, afirma ele. Conforme as informações do meteorologista do Sipam, a reportagem verificou que nos quinze dias de agosto foram detectados 34 focos na unidade de conservação e outros 29 no restante do mês, o período que segundo Luis Alves, teve muita umidade e chuva.

O aumento de queimadas pode estar aliado também à dispersão da operação ambiental ‘Terra Nova’ na Flona que foi organizada para zerar os crimes ambientais na Bom Futuro. No começo da operação, maio deste ano, havia cerca de 400 homens, quase um mês depois foi reduzido pela metade, e hoje não chega nem a 80 homens trabalhando para cumprir a ordem judicial assinado em abril de 2008. O balde de água fria, na ação ambiental considerada a maior do Brasil, foi dado após o acordo realizado pelo governo estadual, Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Chico Mendes, no inicio de junho. E a partir deste decreto que permuta áreas de preservação ambiental (a estadual Rio Vermelho de 600 hectares pela nacional do Bom Futuro de 140 mil hectares), alguns órgão começaram a retirar as equipes da operação, como o Instituto Nacional de Colonização e Regularização Agrária (Incra) e o Exército Brasileiro, o restante reduziu bastante o efetivo na localidade. A Terra nova ainda se deparou com o problema das multas milionárias que geraram um conflito com os moradores da vila de Rio Pardo. Infrações que acabarão sendo canceladas quando a permuta de unidades for concretizada.
Desmatamento

Nestes três meses e meio de operação, os únicos desmatamentos visualizados pelo os satélites do Inpe foram da própria força tarefa. As quatro bases operacionais instaladas nas principais estradas desmataram 310 hectares ou cerca de 310 campos de futebol.
Ação Civil

Em agosto, quatro procuradores da República e duas promotoras de Justiça de Rondônia entraram com uma ação civil pública ambiental para cancelar a transação firmada pelo governador, Ivo Cassol e a União. O Ministério Público Federal e Estadual desconfiam das verdadeiras intenções da troca de áreas de conservação. Segundo a ação, o acordo foi realizado para compatibilizar interesses alheios ao da população e do meio ambiente. O interesse do governo federal seria de agilizar as obras de jirau, ligadas ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O do Estado regularizar a vida dos invasores da Floresta Nacional.
Flona

Criada em 1988 com 271 mil hectares de área a cerca de 200 quilômetros da cidade de Porto Velho, a Flona começou a ser ocupada desordenadamente a partir de 1995 e 1997, com a instalação na região de dois assentamentos. Seguiram-se várias ocupações irregulares, inclusive simuladas por políticos que montaram currais eleitorais. Segundo o Sipam, atualmente cerca de 28% da Bom Futuro já foram desmatadas, com uma ocupação de 3,5 mil habitantes e 35 mil cabeças de boi pirata.

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Órgãos estudam aves em aeroporto de Porto Velho

foto: Vespo.blogspot

Para evitar acidentes aéreos com urubus em Porto Velho, órgãos ambientais e Infraero estudam meios para evitar a presença dos animais em área aeroportuária. O levantamento técnico está sendo realizado ‘in loco’ para encontrar as áreas e os pontos atrativos das aves.



Desde o inicio do estudo, que já dura 6 meses, foram encontrados 24 pontos, dos quais cinco são considerados críticos.


Os pontos críticos são: a 150 metros da pista de pouso do aeroporto onde foi retirado à areia e se transformou em ‘lagoa’ para os animais, a região de um frigorífico que está a cerca de 1.250 metros do centro da pista do Aeroporto em qual foi encontrado dejetos e restos industriais jogados nas proximidades, o igarapé localizado no bairro Costa e Silva tomado por lixo sendo considerado atrativo para os urubus, na mesma situação está o igarapé do bairro Nacional que virou esgoto a céu aberto e a região da estrada da Penal próximo a colônia penal onde se encontrou um deposito de restos bovinos (neste lugar foram encontrados aproximadamente 300 urubus).


Segundo a bióloga Marli Lustosa da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), o levantamento é feito com sobrevôo da área no entorno do aeroporto Internacional de Porto Velho, dados fotográficos para identificação dos pontos de maior incidência de aves, estimativa dos quantitativos nos vários locais de aglomeração de aves, identificar as espécies de aves e a altura aproximada da aglomeração das aves.


O plano de ação de retirada das aves vai acabar com os pontos atrativos que estão no raio da pista dos aviões. O relatório final dos estudos será apresentado no dia 8 de maio e a partir destes dados os órgãos começam a agir.

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Abusos e violências em invasão de terras, denunciam moradores


PORTO VELHO -RO


Invasão de terras na comunidade Santa Terra em Porto Velho preocupa moradores. Segundo denúncias há mais de um mês invasores estão desmatando a Área de Preservação Permanente (APP) para lotear os terrenos. A área invadida fica atrás da colônia penal, no quilômetro 14, na estrada da Penal. “Eles [invasores] vem aqui quase toda noite com um caminhão lotado de homens e entram na mata derrubando tudo”, disse a denúncia.


A grilagem de terras, pelo que tudo indica, está acontecendo em nome da Associação de Agricultores e Chacareiros e Hortigranjeiros da Terra Santa. Os terrenos de 10 por 30 metros estão sendo vendidos por cerca de R$ 30 mil reais, segundo informações. “Essa área está toda loteada para empresa grande, gente grande mesmo”, acreditam os moradores que não querem ser identificados.


Os moradores dizem também que viram várias pessoas disfarçadas de policiais e com uniforme dos órgãos ambientais entrando na invasão. “Eles vem disfarçados de justiça, mas tiram as placas dos carros e das motos”.


A preocupação maior dos moradores é com as ameaças de morte e com a repentina onda de violência. “Falam que é para gente ficar calado se não o fogo vai tomar conta de tudo”. E revelam ainda que a noite já escutaram gritos de crianças sendo estupradas. “Trazem crianças para ser estupradas, a criança chora gritando a noite toda, e a gente não pode dar um socorro, é menino e menina que trazem de moto”, afirma.


De acordo com os moradores, o local onde ocorrem os estupros e em um casebre (de aproximado 10 metros quadrados) todo coberto de palha localizado na entrada da estrada aberta pelos grileiros.


A reportagem foi ao local indicado e encontrou embalagem de camisinha, latas de cervejas, garrafas pet de refrigerantes, churrasqueira de tijolos e meio saco de carvão (de 5 quilos).

Fiscalização intensa


As denúncias da invasão levaram a Sedam e o Batalhão Ambiental intensificarem fiscalização na região. A estrada aberta pelos invasores tem aproximadamente quinhentos metros.


A Secretaria de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) notificou a presidente da Associação, Lenir Barbosa de Souza, que deve comparecer ao órgão ambiental para esclarecer as acusações de invasão de terras e uso ilegal da Autorização Especial expedida pela Secretaria.


A autorização era para a organização limpar estrada ao lado da área protegida e conforme a própria associação solicitou ao órgão, a limpeza melhoraria o acesso da comunidade à linha que liga a estrada da Penal. Mas os moradores dizem que os invasores estão usando o documento para desmatar a APP.


De acordo com o coordenador de Proteção Ambiental da Sedam, Antônio Cardoso, a autorização expedida à associação está cancelada por terem apresentado dados falsos e ocultados informações. “Estamos preparando um relatório apontando todos os danos causados a área de proteção e a partir desta ação, vamos fazer as autuações e aplicar multas”, finaliza ele.

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Semana da água inicia hoje em Porto Velho

Evento comemorativo da Semana Mundial da água inicia hoje (16) à noite ás 19 horas no auditório da Faculdade São Lucas. A programação que é realizada durante esta semana tem o objetivo de sensibilizar, conscientizar e mobilizar a população para o uso consciente da água.

Segundo a coordenadora de Educação Ambiental do órgão ambiental do estado (Sedam), Iracy Wanderley Filha, até o dia 22 deste mês serão realizadas palestras, oficinas educativas em escolas públicas estaduais e municipais, pit stop, interação ecológica (no Parque Circuito e no Espaço Alternativo de Porto Velho).

A Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental responsável pelo a iniciativa conta com a parceria de diversas instituições ambientais.

Dia mundial da água
O Dia Mundial da Água é comemorado no dia 22 de março com o intuito de chamar a atenção para esse bem essencial para a vida no Planeta e conscientizar a população na busca de soluções e participação em iniciativas que garantam quantidade e qualidade de água para todos.

A importância da água
Os recursos hídricos têm profunda importância no desenvolvimento de diversas atividades econômicas. Na produção agrícola, a água pode representar até 90% composição física das plantas. A falta d'água em períodos de crescimento dos vegetais pode destruir lavouras e até ecossistemas devidamente implantados. Na indústria, para se obter diversos produtos, as quantidades de água necessárias são muitas vezes superiores ao volume produzido.

Um sexto da população mundial, mais de um bilhão de pessoas, não têm acesso a água potável;

40% dos habitantes do planeta (2.400 milhões) não têm acesso a serviços de saneamento básico;

Cerca de 6 mil crianças morrem diariamente devido a doenças ligadas à água insalubre e a um saneamento e higiene deficientes;

Segundo a ONU, até 2025, se os atuais padrões de consumo se mantiverem, duas em cada três pessoas no mundo vão sofrer escassez moderada ou grave de água.

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O futebol esquecido de Porto Velho

O Esporte Espetacular fez uma reportagem sobre a situação do futebol em Porto Velho (RO), hoje apenas no imaginário dos apaixonados pelo esporte. Não pude ver Ferroviário, nem Moto, nem Ypiranga, Botafogo entre outros times bons que tiveram na minha cidade.

No momento em que a cidade vive um novo 'Eldorado' com as usinas, está na hora dos poderes públicos e iniciativa privada se unirem para melhorar o nível de esporte no Estado, tão carente. Não há cidadania e nem educação sem ajuda do esporte.

Duelo entre Moto Clube e Ferroviário já agitou Rondônia, mas hoje só restam as lembranças. Casamento, gol de mão e visita de Garrinha estão entre as histórias antigas do futebol rondoniense.



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